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sábado, 19 de janeiro de 2008

Mãos feridas na porta dum silêncio

Vida que às costas me levas porque não dás um corpo às tuas trevas?
Porque não dás um som àquela voz que quer rasgar o teu silêncio em nós?
Porque não dás à pálpebra que pede aquele olhar que em ti se perde?
Porque não dás vestidos à nudez que só tu vês?
Natália Correia

domingo, 6 de janeiro de 2008

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

                 Eugénio de Andrade


sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Poema

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.” Carlos Drummond de Andrade